domingo, setembro 23, 2007

Mensalão Tucano sem Maquiagem

(ou Mineiro como quer impor a grande midia)

Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza deve apresentar a denuncia do Mensalão Tucano, que ocorreu em 1998 em Minas Gerais e serviu como base para o Mensalão, cuja denuncia, também feita pelo procurador, foi acolhida no mês passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações sobre o esquema mineiro foram iniciadas pela Polícia Federal (PF) por ordem do STF e se basearam em cópias de operações bancárias vazadas em 2005, juntamente com uma lista de beneficiários do esquema, pelo lobista Nilton Monteiro.


A denuncia a ser apresentada pelo procurador se baseará no inquérito da PF e conta com algumas figurinhas carimbadas como, por exemplo, o publicitário Duda Mendonça e o empresário Marcos Valério. O senador Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, será apresentado na denúncia como o mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos nas eleições de 1998, quando disputou a reeleição ao governo mineiro contra Itamar Franco.


Segundo o relatório da PF, a coligação de Azeredo, que tinha como vice o ex-deputado Clésio Andrade, do ex-PFL, promoveu através do esquema um derrame de dinheiro ilegal na campanha de mais de R$ 100 milhões. Na época, Azeredo declarou apenas R$ 8,5 milhões à Justiça Eleitoral.


Do montante total movimentado pelo esquema, a perícia indicou que a maior parte do dinheiro veio dos cofres públicos de Minas, tanto da administração direta como indireta, sobretudo de cinco estatais: Copasa, Bemge, Cemig e Fundação Duprat. O restante foi doado clandestinamente por grandes empresas prestadoras de serviço do Estado, principalmente empreiteiras.


Segundo a perícia, do montante total movimentado no Tucanoduto, pelo menos R$ 28,5 milhões estavam escorados em empréstimos de fachada feitos por Marcos Valério, o operador do esquema, através dos bancos Rural, Cidade e de Crédito Nacional. Juntas, somente as operações com o Banco Rural somaram R$ 21,06 milhões.


A denúncia do procurador, que deve ficar pronta por volta do dia 30, deve incluir os crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes financeiros e crimes eleitorais.


com informacoes garimpadas da Folha, Estadao, Globo, Terra, UOL, entre outros. A capa da Veja veio do Oni Presente.


quinta-feira, setembro 13, 2007

Parlamentares acusados, por partido

Como leitor, telespectador ou simplesmente como cidadão exposto às manipulações da grande mídia, responda rápido:

Com base nas capas, reportag
ens, editoriais e comentaristas da grande mídia, qual o partido político com mais processos e investigados em suas bancadas na câmara e no senado?

Clique no gráfico
abaixo e confira:

Fonte: Congresso em Foco, com base em dados do STF

terça-feira, setembro 11, 2007

Manipulação da Informação no UOL

A seguir apresento uma escandalosa manipulação da informação divulgada na capa do UOL, as 10:30 hs do dia 11 de setembro de 2007.

O portal, em sua seção Mídia Global, apresenta a “tradução” de um artigo publicado no Financial Times (FT), em 10 de setembro de 2007.

O UOL manipulou a reportagem do FT transformando a abordagem positiva em relação ao Brasil em um texto negativo. O tradutor (ou editor) simplesmente excluiu partes importantes do texto original, deturpando as conclusões resultantes da leitura.

Em nenhum momento o UOL sugere que o texto estivesse editado, passando a idéia que o mesmo foi publicado conforme texto original do Financial Times.

Link para o artigo “traduzido” pelo UOL: aqui

Link para o artigo original publicado no Financial Times: aqui

Na seqüência, apresento o artigo conforme publicado no UOL (em negrito), destacando, em vermelho, as partes excluídas ou adulteradas na “tradução”. Em italico as partes excluidas.

Brasil deverá revelar melhores números de crescimento
Jonathan Wheatley
Em São Paulo


O Brasil poderá ter uma oportunidade esta semana de afastar sua imagem de vagão lento dos "Bric" - as quatro economias em rápido desenvolvimento. Os números do crescimento no segundo trimestre deverão chegar a 5,5%, mais que o dobro da média dos últimos 15 anos.

Enquanto os outros três - Rússia, Índia e China - há muito vêem suas economias crescerem mais depressa que as de seus pares no mundo desenvolvido, o Brasil tradicionalmente é mais lento, apesar da promessa de um "espetáculo de crescimento" feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de sua eleição em 2002.

Algumas estimativas feitas antes da divulgação dos números, amanhã, vêem o crescimento atingindo até 6,9%, comparado com 3,7% no ano passado.

Mas há uma crescente preocupação sobre um retorno das pressões inflacionárias, e muitos economistas dizem que o governo parece ter abandonado os planos de atacar um índice de gastos que atinge mais que um terço do PIB há vários anos, sugerindo que o ritmo do crescimento poderá desacelerar de novo em médio prazo.

"O crescimento está realmente acelerando", disse Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, um grande banco do setor privado. "As coisas estão parecendo muito boas para os consumidores e em termos de investimento. Vai ser uma surpresa positiva".


Unibanco expects growth of 6.1 per cent in the second quarter, towards the top of a range of economists surveyed by Bloomberg, a news agency, last week.

“Unibanco espera um crescimento de 6,1% no segundo quadrimestre, o máximo valor em uma escala de economistas, examinados por Bloomberg, uma agência de notícia, na última semana”

A agricultura, os serviços e a indústria vêm crescendo rapidamente este ano. O investimento foi forte, especialmente entre empresas exportadoras que avançaram com investimentos iniciados no ano passado.

Demand from consumers has also been robust, driven by a high rate of job creation and the rapid expansion and falling cost of consumer credit.
“A demanda dos consumidores também foi robusta, dirigida por uma elevada taxa da criação de emprego e pela rápida expansão e queda do custo do crédito para o consumidor.”

More than 1.2m jobs were created this year to the end of July, while the total amount of credit in the economy has doubled since 2003 to more than R$800bn (£207bn, $420bn, €305bn), or about 35 per cent of gross domestic product.
“Mais de 1.2 milhão de empregos foram criados desde o início deste ano até o fim de julho, enquanto a quantidade total de crédito na economia dobrou desde 2003, chegando a mais de R$ 800 bilhões (£207bn (libras), $420bn (dólar) , €305bn (euro)), ou aproximadamente 35% do produto interno bruto”

For some sectors of the economy this has compensated for the so-called “Brazilian disease”, the loss of competitiveness from the strengthening Real.
“Para alguns setores da economia isto tem compensado a chamada “doença brasileira”, dada pela perda de competitividade devido a valorização do Real.”

Mr Salomon said he expected to revise upwards his prediction of 4.5 per cent growth for the year. But he said growth in the next two or three years would fall back to about 4 per cent, partly as a result of slowing global demand for Brazil’s commodity-led exports in the aftermath of the US subprime lending crisis.
“O Sr. Salomon disse que espera revisar para cima sua previsão de 4.5% de crescimento para este ano. Mas disse que o crescimento nos dois ou três anos seguintes cairá para aproximadamente 4%, em parte devido a redução da demanda global para os produtos brasileiros em conseqüência da crise gerada pelos empréstimos subprime dos EUA.”

Mas há preocupações à frente. A inflação dos preços no atacado em agosto foi de quase 1%, muito maior que a esperada e uma advertência da crescente inflação dos preços ao consumidor nos próximos meses. Números do governo mostraram ontem a inflação no varejo em 3,99%.

Em conseqüência, muitos economistas esperam que o Banco Central interrompa dois anos de cortes nas taxas de juros. Na semana passada ele desacelerou o ritmo recente dos cortes, de 0,5 para 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 11,25% ao ano, em vez dos 19,75% de setembro de 2005.

Nevertheless, current conditions are expected to produce enough growth to ensure improvement in key macroeconomic indicators, even in a context of rising public spending.
“Não obstante, nas condições atuais espera-se produzir um crescimento suficiente para assegurar uma melhoria nos principais indicadores macroeconômicos, mesmo em um contexto de aumento da despesa pública.”

The government is expected easily to achieve primary budget surpluses (before interest payments) of about 3.7 per cent of GDP, enough to keep the ratio of debt to GDP on a downward trend.
“O governo espera atingir facilmente o superáviti primário programado (antes do pagamento dos juros), de aproximadamente 3,7% do PIB, o suficiente para manter a relação dívida/PIB em tendência decrescente.”

No entanto, O aumento continuado dos gastos do governo também causa preocupação entre economistas.

“There is no sign at all of a reduction of spending,” said Raul Velloso, a specialist in public finances in Brasília.
“”Não há nenhum sinal de redução de gastos,” diz Raul Velloso, especialista em finanças públicas em Brasília”

“On the contrary, the climate is one of increased spending. New items are appearing all the time.”

““Por outro lado, o clima atual é mesmo de aumento de gastos. Novas necessidades estão aparecendo a toda hora.”

No mês passado Brasília anunciou planos de criar 29 mil empregos no setor público no próximo ano e de contratar mais 27 mil pessoas para preencher cargos vagos.

“Government spending is contributing about 0.8 percentage points to annual growth,” said Sérgio Valle, an economist at MB Associados, a São Paulo consultancy.
“”Os gastos do governo contribuem com aproximadamente 0,8% no crescimento anual”, diz Sérgio Valle, economista da MB Associados, empresa de consultoria de São Paulo.”

He expects overall growth this year of about 5 per cent.
“Ele espera para este ano um crescimento de aproximadamente 5%.”

Tradução” (entre aspas mesmo!): Luiz Roberto Mendes Gonçalves

sexta-feira, setembro 07, 2007

Manifesto dos Sem-mídia

por Eduardo Guimarães

Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje.

No transcurso do século XX, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa.

Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades. Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria.


Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos.

O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.

A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos. Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as.

É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos.

Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta "indignação nacional" com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é "da opinião pública", apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia. Nesse processo, a "indignação" de meia dúzia de barões da mídia é apresentada como se fosse a "da opinião pública".

O poder que a mídia tem - ou pensa que tem - é tão grande, que ela ousa insultar a ampla maioria dos brasileiros, maioria que elegeu o atual governo. A mídia insulta a maioria dizendo que esta tomou a decisão eleitoral que tomou porque é composta por "ignorantes" que se vendem por "bolsas-esmola". Retoma, assim, os fundamentos do voto censitário, que vigeu no alvorecer da República, quando, para votar, o cidadão precisava ter um determinado nível de renda e de instrução. E o pior, é que a teoria midiática para explicar por que a maioria da sociedade não acompanhou a decisão eleitoral dos barões da mídia, esconde a existência de cidadãos como estes que aqui estão, que não pertencem a partidos, não recebem "bolsas-esmola" e que, assim mesmo, não aceitam que a mídia tente paralisar um governo eleito por maioria tão expressiva criando crises depois de crises.

É óbvio que a mídia sempre dirá que suas tendências e pontos de vista coincidem com o melhor interesse do conjunto da sociedade. Dirá isso através da confortável premissa (para os beneficiários preferenciais do status quo vigente) de que as dores que a prevalência dos interesses dos estratos superiores da pirâmide social causa aos estratos inferiores, permitirão a estes, algum dia, ingressarem no jardim das delícias daqueles. É a boa e velha teoria do “bolo” que precisa primeiro crescer para depois ser dividido.


Os meios de comunicação sempre tomaram partido nos embates políticos. Demonizam políticos e partidos que grupos de interesses políticos e econômicos desaprovam e, quando não endeusam, protegem os políticos que aqueles grupos aprovam. Isso está acontecendo hoje em relação ao governo federal e à sua base de apoio parlamentar, por um lado, e em relação à oposição a esse governo e a seus governos estaduais e municipais, por outro. Resumindo: a mídia ataca o governo central em benefício de seus opositores.

Os meios de comunicação se defendem dizendo que atacam o governo central também porque ele nada faz de diferente - ou de melhor - do que fazia a facção política que governava antes, e diz, ainda por cima, que o atual governo produz "mais corrupção". Alguns veículos, mais ousados, acrescentam que os que hoje governam favorecem mais o capital do que seus antecessores. Outros veículos, mais dissimulados, ainda adotam um discurso quase socialista ao criticarem os lucros dos bancos e o cumprimento dos contratos que o governo garante. A mídia chega a fazer crer que apoiaria esse governo se ele fizesse despencar a lucratividade do sistema bancário e se rompesse contratos. Faz isso em contraposição ao que dizia dos políticos que agora estão no poder, porém no tempo em que estavam na oposição, ou seja, dizia que não poderiam chegar ao poder porque, lá chegando, descumpririam contratos e prejudicariam o sistema bancário...

A mídia brasileira garante que é “isenta”, que não é pautada por ideologias ou por interesses privados, e que trata os atuais governantes do país como tratou os anteriores. Não é verdade. Bastaria que nos debruçássemos sobre os jornais da época em que os que hoje se opõem ao governo federal estavam no poder e comparássemos aqueles jornais com os de hoje. Veríamos, então, como é enorme a diferença de tratamento. Nunca a oposição ao governo federal foi tão criticada pela mídia quanto na época em que os que hoje estão no governo, estavam na oposição; nunca o governo foi tão defendido pela mídia quanto era na época em que os que hoje estão na oposição, estavam no governo.

Não é preciso recorrer a registros históricos para comprovar como os pesos e medidas da mídia diferem de acordo com a facção política que ocupa o poder. Basta, por exemplo, comparar a forma como os jornais paulistas cobrem o governo do Estado de São Paulo com a forma como cobrem o governo do país.

A mesma facção política governa São Paulo há mais de uma década. Nesse período, o Estado foi tomado pelo crime organizado. A Saúde pública permanece - ou se consolida - como um verdadeiro caos, apesar das novas tecnologias e da enorme quantidade de recursos que transitam por São Paulo. A Educação pública permanece como uma das piores do país a despeito da pujança econômica paulista. Assim, começaram a eclodir desastres nunca vistos na locomotiva do Brasil que é São Paulo.

Ano passado, uma organização criminosa aterrorizou este Estado. Essa organização nasceu e se fortaleceu dentro dos presídios controlados pelo governo paulista. A Febem, destinada a recuperar jovens criminosos, consolidou-se como escola de crimes, e as prisões para adultos alcançaram o status de faculdades do crime. No início deste ano, uma rua inteira ruiu por causa de uma obra da linha quatro do metrô paulistano, administrado pelo governo paulista. Várias pessoas morreram. Foi apenas mais um entre muitos outros acidentes que ocorreram nas obras do metrô de São Paulo e a mídia não noticia nada disso, o que lhe deixa escandalosamente óbvio o intuito de proteger o grupo político que governa o Estado mais rico da Federação e que se opõe ferozmente ao governo federal.

A mídia exige CPIs para cada suspeita que a oposição levanta sobre o governo federal, mas não diz uma palavra de todos os escândalos envolvendo o governo de São Paulo. Omite-se quanto à violação dos direitos das minorias parlamentares na Assembléia Legislativa paulista, violação perpetrada pelas maiorias governistas, maiorias que nos últimos anos enterraram dezenas de pedidos de investigação do governo paulista, controlado por políticos que estão entre os que mais exigem investigações sobre o governo federal.


Seria possível passar dias escrevendo sobre tudo o que a imprensa paulista deveria cobrar do governo do Estado de São Paulo, mas não cobra. Ler um jornal impresso em São Paulo ou assistir a um telejornal produzido aqui só serve para tomar conhecimento do que faz de ruim - ou do que a mídia diz que faz de ruim - o governo federal. Dificilmente se encontra informações sobre o governo paulista, e críticas, muito menos. O desastre causado pela obra da linha quatro do metrô paulistano, por exemplo, foi coberto pela mídia, mas por pouco tempo - questão de dias. Depois, o assunto desapareceu do noticiário e nunca mais voltou. Dali em diante, a mídia passou a esconder e a impedir qualquer aprofundamento no caso, fazendo com que a sociedade permaneça sem satisfação quase nove meses depois da tragédia. Mas o "caos aéreo" não sai da mídia um só dia já há quase um ano.

Assim é com tudo que diga respeito a políticos e partidos dos quais a imprensa paulista gosta. E o mesmo se reproduz pelo país inteiro. A mídia carioca, a mídia baiana, a mídia gaúcha, as mídias de todas as partes do país fazem o mesmo que a paulista, pois todas são uma só, obedecem aos mesmos interesses, controladas que são por um número ridiculamente pequeno de famílias "tradicionais", por uma oligarquia que domina a comunicação no Brasil desde sempre.

O lado mais perverso desse processo é o de a mídia calar divergências. Cidadãos como estes que assinam este manifesto são tratados pelos grandes meios de comunicação como se não existissem. São os sem-mídia, somos nós que ora manifestamos nosso inconformismo. Muito dificilmente é dado espaço pela mídia para que quem pensa como nós possa criticar o seletivo moralismo midiático ou as facções políticas amigas dos barões da mídia. A quase totalidade dos espaços midiáticos é reservada àqueles que concordam com os grandes meios de comunicação. Jornalistas que ousam discordar, são postos na "geladeira". A mídia impõe uma censura branca ao país. Isso tem que parar.
Claro precisa ficar que os cidadãos que assinam este manifesto não pretendem, de forma alguma, calar a mídia. Os que qualificam qualquer crítica a ela como tentativa de calá-la, agem com má-fé. É o contrário, o que nos move. O que pedimos é que a mídia fale ou escreva muito mais, pois queremos que fale ou escreva tudo o que interessa a todos e não só aquilo que lhe interessa particularmente e àqueles que estão ao seu lado, pois a mídia tem lado, sim, apesar de dizer que não tem, e esse lado não é o de todos e nem, muito menos, o da maioria.

Mais do que um direito, fiscalizar governos, difundir idéias e ideologias, é obrigação da mídia. Assim sendo, os signatários deste manifesto em nada se opõem a que essa mesma mídia critique governo nenhum, facção política nenhuma, ideologia de qualquer espécie. O que nos indigna, o que nos causa engulhos, o que nos afronta a consciência, o que nos usurpa o direito de cidadãos, é a seletividade do moralismo político midiático, é o sufocamento da divergência, é o soterramento ideológico de corações e mentes.

Por tudo isso, os signatários deste manifesto, fartos de uma conduta dos meios de comunicação que viola o próprio Estado de Direito, vieram até a frente desse jornal dizer o que ele e seus congêneres teimam em ignorar. Viemos dizer que existimos, que todos têm direito de ter espaço para seus pontos de vista, pois a mídia privada também se alimenta de recursos públicos, da publicidade oficial, e, assim sendo, tem obrigação de não usar os amplos espaços de que dispõe como se deles proprietária fosse. Seu papel, seu dever é o de reproduzir os diversos matizes políticos e ideológicos, de forma que o conjunto da sociedade possa tomar suas decisões de posse de todos os fatos e matizes opinativos.

Em prol desse objetivo, hoje está sendo fundado o Movimento dos Sem-Mídia. Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural. Aqui, hoje, começamos a lutar pelo direito de todos os segmentos da sociedade de terem como expor suas razões, opiniões e anseios e de receberem informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser "jornalismo".

São Paulo, 15 de setembro de 2007

terça-feira, setembro 04, 2007

Para pensar

Recebi esta perola por e-mail, sem autor especificado, mas vale a pena publicar. Fantastico!
Critique o legislativo, o executivo e até o judiciário. Critique o alto salário do político salafrário. Critique o padre e o prefeito, critique quem não cumpre direito com a sua obrigação. Critique o papa, a igreja evangélica, o pastor da televisão, mas a imprensa não critique não. A imprensa está acima de tudo e não tem nenhum defeito. Não é instituição humana. Tudo que faz é perfeito e pode a todos criticar, pois é o guia da nação. Criticar a imprensa é pecado, é crime de opinião. Eu a sigo, reverente, e ela marcha à minha frente como um farol na escuridão. Me diz o que é certo e errado e eu reconheço embasbacado, que ela sempre tem razão. Dizem que sou alienado e que eu não paro pra pensar, e eu digo: pra que pensar se a imprensa pensa por mim e eu sou tão feliz assim?

segunda-feira, setembro 03, 2007

Veja envolvida em Escandalo

do Blog Tudo em Cima



Leiam ainda:

Frustrada tentativa da Abril de "abortar" CPI
A tentativa de elaborar uma lista para "abortar" a CPI da Abril-Telefônica, iniciada na semana passada, foi frustrada. Até esta segunda-feira (10), não foi dada entrada no requerimento que exige...

Por que a Cpi da TVA-Abril-Veja passou a ser necessária
A editora Abril espalhou lobistas pela Câmara na tentativa de virar os votos dos signatários da proposta da CPI. Isso é ilegal - repito, ilegal -, mas, no entanto, foi confirmado pelo assessor de imprensa do Grupo Abril

Racistas controlam a revista Veja
"Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora". Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Grupo sul-africano Naspers, porta-voz do Apartheid
O grupo sul-africano Naspers, que entrou para o controle da Veja há um ano, foi porta-voz do Apartheid durante toda sua existência. De seus quadros saíram D.F. Malan, que tornou lei a segregação racial e mais dois chefes do Estado pária: H.F. Verwoerd e P. Botha

Grupo sul-africano Naspers, sócio da Editora Abril, prosperou-se com apartheid
Dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid: o ... A revista Veja, pertencente ao grupo Abril, achou que podia fazer com a rede ...

Abril terá de explicar contrato com grupo do apartheid
A Editora Abril, que detém entre outros veículos a Revista Veja, deve apresentar até o final deste mês, ao juiz Régis Rodrigues Bonviccino, do Fórum Regional de Pinheiros, as cópias do contrato com o Grupo Naspers, um dos pilares de sustentação do regime de segregação racial mantido pelo regime racista da África do Sul.

Quando o Radicalismo é Contraproducente

Por Anderson Farias – Blog Minha Política

Em tempos de acirramento de disputa política aqueles que estão em desvantagem devem agir com inteligência. O Brasil de hoje vive esses tempos e o maior reflexo disso é o comportamento da classe média brasileira que, insuflada pela grande mídia conservadora, esbanja superioridade e preconceito.

Quem faz parte da classe média e não concorda com a atual corrente de pensamento, ditada por vejas e folhas da vida, definitivamente está em minoria. Minoria dentro da classe média claro, pois se considerarmos toda a população brasileira, essa relação não se sustenta, vide as últimas eleições e pesquisas de opinião.

Vale destacar, no entanto, que o apoio da classe média é essencial para manutenção da Oligarquia da Mídia, que, como vimos na última semana, pode influenciar no andamento das casas legislativas e até mesmo em decisões do STF.

De modo geral, a classe média comprou e defende com unhas e dentes a visão deturpada e preconceituosa de sociedade, imposta de forma aparentemente despretensiosa e de modo contínuo pela grande mídia.

A visão de sociedade da grande mídia foi passada a classe média aos poucos, de maneira quase subliminar no início, quando os meios de comunicação juravam isenção e chegaram a disparar campanhas publicitárias neste sentido. Aos poucos, a grande mídia foi aumentando o viés conservador, promovendo colunistas alinhados e reduzindo os espaços daqueles que apresentavam visão contrária, até que se chegou ao ponto onde nos encontramos hoje.

Atualmente, os jornais e revistas da mídia oligárquica não mais se preocupam em esconder sua posição, apesar de nunca terem aberto mão da autoproclamada imparcialidade, e chegam a dedicar edições inteiras, do editorial as seções de entretenimento, a fazer propaganda ideológica e atacar o governo federal, sem que isso salte aos olhos daqueles que se deixaram levar ao longo do processo. As pessoas que engoliram a versão da grande mídia estão anestesiadas e não aceitam argumentos contrários, por mais claros e corretos que estes possam parecer.

O ponto a que a grande mídia chegou na sua cruzada ideológica é tão radical que chega a ser fácil, para os “não-alinhados”, detectar contradições em seus argumentos, que mudam de acordo com o agente e o atingido em cada situação. São estas contradições que nós, contrários a este processo de manipulação, devemos amplificar, pois a única forma de acabar com esse ciclo perverso é através da destruição da credibilidade da grande mídia e de seus principais articulistas.

Estas contradições devem ser levantadas de forma clara, sem maquiagens ou manipulações, de modo a evitar cair na frágil situação que hoje se encontra os grandes meios de comunicação. A Internet nos permite garimpar essas contradições como nunca foi possível antes, basta uma busca direcionada no Google de acontecimentos com impactos equivalentes, onde o agente e o atingido sejam opostos (direita/esquerda, rico/pobre, norte/sul, etc) e avaliar a forma que cada é evento é mostrado e o espaço dedicado a cada um.

A crítica a cobertura dada pela mídia deve ser imparcial, sem tentar impor conclusões ou opiniões formadas as pessoas que recebem a informação, que devem tirar suas próprias conclusões e aos poucos perceberem que nem tudo que lêem representa a realidade. Dessa forma, as pessoas passarão a ler sua revista semanal ou jornal de domingo com mais cuidado, passarão a duvidar de versões mastigadas e com conclusões prontas. Passarão a perceber que a reportagem da sua revista favorita parte da conclusão e não do fato que a deveria ter originado.

Esse trabalho é longo e deve ser colocado por pessoas sem filiação partidária, sem posição política radical, com credibilidade e principalmente sem radicalismos e imposição de pensamento. Destaco que não proponho manipulação da informação, o que proponho é mostrar, com base em reportagens dos próprios meios de comunicação, que existem diferentes pesos e medidas, aplicadas de acordo com as conveniências das empresas e de partidos políticos alinhados.

Um exemplo claro do que estou tentando dizer é a reportagem sobre atrasos nos aeroportos nos EUA, do Azenha, que postei aqui no Blog. Nesta reportagem ele mostra que, ao contrário do que costuma fazer, a mídia nativa optou por não repercutir o que ocorre no exterior, de modo a esconder da população que o problema dos atrasos não é exclusivo do Brasil. Lembro-me, inclusive, que o JN chegou a mostrar estrangeiros em filas, dando a entender que no exterior isso não ocorre.

Imaginem a reação das pessoas ao lerem esse tipo de reportagem: Opa, mas não foi isso que a Globo e a Veja me falaram! Eu pelo menos pensei isso.

Em resumo, o objetivo final disso tudo é exatamente provocar este tipo de reação nas pessoas e, em última instância, convencê-las que nunca devemos acreditar em uma versão pronta dos fatos, onde o artigo ou a reportagem já vem com alvos e conclusões pré-definidos. É esse tipo de reação que enfraquece a mídia oligárquica e que lhe tira a credibilidade e o poder. Essa é a nossa única arma.

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Tentarei levantar, conforme proposta, alguns temas neste blog, para que as pessoas possam utilizar para enviar aos amigos, mas já adianto que meu tempo é curto e às vezes passo dias sem atualizar este espaço. Também aceitarei dicas e análises dos visitantes.

domingo, setembro 02, 2007

Caos Aéreo made in USA

"Aqui estamos durante o atraso no aeroporto de Chicago e aqui estamos atrasados em Denver e aqui nós em nosso atraso de Newark"

Testando hipóteses: algumas reportagens as emissoras de TV simplesmente 'esquecem' de fazer. Ou por incompetência ou porque "não interessa".

Por exemplo: durante o caos aéreo, a crise aérea ou a hecatombe nos aeroportos, nosso editores, que gostam tanto de "repercutir" assuntos no Exterior, não repercutiram.

Testo hipótese: se dissessem que o problema não é exclusivo do Brasil não dava para atacar o governo federal.

Leia mais no site do Azenha

sábado, setembro 01, 2007

DENUNCIE A OLIGARQUIA DA MÍDIA

Me empolguei com a ideia do Eduardo Guimaraes (aqui) e misturei um pouco do texto do Eduardo (o inicio da chamada, antes do titulo) com o meu. Como nao posso participar do manifesto em Sao Paulo, proponho uma campanha paralela, atraves de e-mail mesmo (pelo menos por enquanto). O tema seria o seguinte:

DENUNCIE A OLIGARQUIA DA MÍDIA

Segue o texto para chamada da campanha:

Dia após dia nos sentimos impotentes, vendo um país que atravessa um de seus melhores momentos na história perdendo tempo precioso com politicagem. Um tempo vital para milhões de brasileiros que, heroicamente, tentam sobreviver, apesar de doentes, famintos, habitando buracos fétidos, mergulhados na ignorância, cercados pela violência.

O país está parado devido à picuinha de meia dúzia de veículos de comunicação e de algumas dezenas de parlamentares que, por meio desses veículos, conseguem impedir a tramitação de projetos no Congresso que poderiam melhorar a vida de milhões.

Se juntarmos todas as correntes de e-mail em reuniões pelo país, talvez pudéssemos passar das lamúrias à ação. O que vocês acham?

DENUNCIE A OLIGARQUIA DA MÍDIA

As oligarquias são grupos sociais formados por aqueles que detém o domínio da cultura, da política e da economia de um país e que exercem esse domínio no atendimento de seus próprios interesses, em detrimento das necessidades das massas populares.

Para um observador mais atento, pode-se facilmente perceber que a grande mídia brasileira atualmente forma um grupo afinado. Basta observar como se dá a repercussão de "fatos" divulgados por um dos seus integrantes: Globo (TV, O Globo, Época, etc), Editora Abril (Veja, UOL, Exame, etc), Estadão e Folha de SP.

O procedimento é o seguinte: um dos membros do clube divulga um furo, embasado freqüentemente por uma fonte anônima. Este furo é apresentado sob forma de denúncia.

Os demais integrantes do clube repercutem a denuncia de forma coordenada, baseados sempre em indícios e não em provas. Estes indícios rapidamente são por eles transformados em verdade e são publicados com estardalhaço nas capas dos principais jornais e revistas e apresentado em destaque no Jornal Nacional.

Na seqüência da campanha de divulgação, os "formadores de opinião", como se auto-intitulam os colunistas da grande mídia, encarnam o que eles chamam de opinião pública e clamam, como em nome do povo, por providencias repetindo ad eternum a versão imposta pelas patrões.

Para completar o ciclo, parlamentares sobem as tribunas das suas casas legislativas e, com as revistas ou jornais em punho, exigem CPIs, renuncias, impeachment e até golpes de estado, como chegaram a insinuar alguns.

Mas quando as denuncias se referem aos seus pares, a grande mídia faz vistas grossas e utiliza critérios diferenciados para sua indignação.

Enfim, o que se vê atualmente na grande mídia é uma unanimidade, uma defesa incondicional de versões especificas dos fatos, com interesses específicos, sem nenhum tipo de contraponto.

As opiniões divergentes, essenciais para o desenvolvimento do senso critico e tão necessárias para o correto funcionamento da democracia, já não tem mais espaço nos principais meios de comunicação.

O clube da grande mídia, trabalhando em conjunto, domina a comunicação de massa e impõe suas verdades de acordo com os seus interesses de momento, em beneficio próprio e contra os interesses do povo, ou seja, esse clube forma a mais perigosa das oligarquias, a Oligarquia da Mídia.

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A dialética nos ensina a enxergar sempre os dois polos opostos ou as duas versões, que são a tese e a antítese, para só então formarmos a síntese do que seja para nós a verdade.
Quando nos deixamos convencer por uma versão unilateral de um fato, estamos fechando nossos horizontes de totalidade e sendo manipulados, mesmo que não tenhamos consciência disto.