
Com a saída de Serra da prefeitura, quem assumirá a maior cidade de país será o vice Gilberto Kassab (PFL). Kassab é desconhecido da maioria da população, possui pouca experiência administrativa e foi secretário de Celso Pitta de 1997 a 2000.
A causa tramita pelos escaninhos do Judiciário desde 2002. Naquele ano, a 20ª Vara Federal de Brasília considerou procedente uma denúncia do Ministério Público contra Serra, Malan e Parente. Os três foram condenados, junto com outras autoridades, a ressarcir o erário por terem autorizado o pagamento, com recursos públicos, de prejuízos dos correntistas que tinham dinheiro em bancos que sofreram intervenção em 1995 (Banco Econômico, Mercantil e Comercial de São Paulo). A operação estava vinculada ao Proer, o programa de reestruturação do sistema financeiro.
O Ministério Público Federal considerou que a medida foi ilegal. Sustentou na ação que havia uma "vedação constitucional para aporte de recursos oriundos de reserva monetária (...) sem prévia autorização” do Senado Federal. Os responsáveis foram enquadrados na lei que pune os crimes de improbidade administrativa.
Aproveitando-se de uma decisão do STF que cancelara uma outra condenação que havia sido imposta ao também ex-ministro de FHC Ronaldo Sardenberg pelo uso de jatinhos da Força Aérea em viagens de turismo, os advogados de Malan foram ao Supremo. Pediram ao tribunal que avocasse o processo, anulando as decisões do juízo de primeira instância.
O recurso foi distribuído por sorteio ao ministro Gilmar Mendes, que ocupara o posto de Advogado-Geral da União na época em que Serra, Malan e Parente eram ministros de FHC. Invocando a liminar que beneficiara Sardenberg, proferida pelo ministro Nelson Jobim, também ele um ex-auxiliar de FHC –ocupara a pasta da Justiça-, Gilmar Mendes pôs por terra a condenação contra os ex-colegas.
A tese de Jobim, aproveitada por Mendes, é a de que a lei de improbidade, invocada para condenar Sardenberg, Serra, Malan e Parente, não pode ser aplicada contra "agentes políticos". Todos eles só poderiam ser julgados por "crime de responsabilidade". O que lhes garantiria o chamado foro privilegiado -presidentes da República, ministros, senadores e deputados federais só poderiam ser processados no STF; governadores, no STJ; deputados estaduais, prefeitos e vereadores, nos Tribunais de Justiça.
A prevalecer esse entendimento podem ser anulados mais de 10 mil ações e inquéritos abertos contra gestores públicos pela prática de improbidade administrativa. A polêmica volta à baila agora, para infortúnio do candidato Serra, porque Gilmar Mendes incluiu o processo na pauta de julgamentos do STF. Significa dizer que a liminar concedida por Mendes em favor dos ex-ministros de FHC pode ser submetida aos demais juízes do Supremo a qualquer momento.
O favorecimento de aliados por meio da ingerência sobre os contratos de publicidade foi divulgado no último fim de semana pelo jornal Folha de S.Paulo. De acordo com a reportagem, o Palácio dos Bandeirantes pressionou a Nossa Caixa para direcionar os recursos para deputados da base aliada - dentre eles, o ex-ministro da Comunicação Luiz Carlos Mendonça de Barros, cotado para compor a equipe econômica de Alckmin.
Jazadji disse que a distribuição das verbas segue um "critério político" e serve como "cala-boca" para deputados que criticam ou se opõem ao governo.
"É um critério político. Quem não concorda com o governo de São Paulo é boicotado. O governador Geraldo Alckmin não pode fazer isso com verba pública. Recebi R$ 8 mil reais da Nossa Caixa e depois, quando passei a discordar das atitudes do governo, parei de receber", disse Jazadji. O pefelista ressalta ainda que deixou de receber verbas quando passou a apoiar Rodrigo Garcia (PFL-SP) para a Presidência da Assembléia Legislativa.
Segundo o deputado, o Palácio dos Bandeirantes procura os comunicadores, como ele, para oferecer verbas publicitárias. "Nunca pedi pessoalmente, fui procurado. O governador disse que prestigiaria meu programa com publicidade. Mas, para mim, isso é um cala-boca e eu não aceito. Ou destina para todos os programas, ou pra nenhum", afirmou.
Alckmin volta atrás e agora diz que pode investigar
No domingo, Alckmin afirmou que "não tem veracidade" a denúncia e negou que irá investigar o caso. Depois, foi obrigado a voltar atrás e prometeu que mandará apurar a denúncia.
"A investigação foi feita pela Nossa Caixa. Ela fez a sindicância, concluiu, encaminhou ao Ministério Público. Há 500 veículos de comunicação, e nós estamos falando de cinco casos. Agora, concluir que tenha ingerência política em 500 veículos?", questionou o governador, que dia 31 renuncia ao cargo para concorrer à Presidência da República.
Porém, o Ministério Público do Estado de São Paulo já tomou a iniciativa de apurar o caso e, desde dezembro, está realizando as investigações em caráter preliminar, baseado em denúncia anônima.
A denúncia cita e-mails trocados entre pessoas envolvidas e indica que o assessor especial de Comunicação do governo, Roger Ferreira, teria coordenado o esquema. As alegadas pressões também constam de um dossiê de 42 páginas elaborado pelo ex-gerente de marketing do banco Jaime de Castro Júnior - demitido por justa causa em dezembro passado, por conta das acusações. Ele teria efetuado as denúncias porque outros funcionários supostamente foram protegidos pela auditoria interna realizada pela Nossa Caixa.
Assessor especial de Alckmin pede demissão
Contribuindo ainda mais para dar veracidade à denúncia, o assessor especial de comunicação Roger Ferreira pediu demissão ontem e Alckmin, que no dia anterior havia dito que não demitiria Ferreira, aceitou a demissão do assessor sem titubear.
Em sua carta ao governador, Ferreira segue o script comum de casos como este: afirma que nada fez durante sua função que "ferisse os ditames da ética e do espírito público" e ressaltou que não permitiria que sua "presença no governo seja pretexto para provocar desgastes injustificáveis à candidatura de Vossa Excelência à Presidência da República".
A assessoria do Palácio também divulgou a resposta do governador à carta de Ferreira. No texto, Alckmin diz que aceita, "sensibilizado", o pedido de exoneração, o que demonstraria a "lealdade e alto espírito público" do assessoria.
PT quer investigação
O PT quer que o Ministério Público e a Polícia Federal investiguem a denúncia. O líder do partido na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), defendeu a investigação do caso. "Não vamos fazer como o PSDB e o PFL que partem sempre do pressuposto da culpabilidade em relação ao nosso governo. A denúncia é grave mas é importante que seja investigada pelo Ministério Público e Polícia Federal", disse ele, em entrevista ao Jornal do Brasil.
Para o deputado Luciano Zica (PT-SP), "é estranho que tão pouca coisa apareça das várias irregularidades ocorridas nos 12 anos de governo do PSDB em São Paulo". "Temos propostas de instalação de quase 50 CPIs. Ele (Geraldo Alckmin) tem uma maioria folgada na Assembléia Legislativa, que pode ser construída com esse tipo de relação. É contraditório a imprensa dar uma dimensão tão grande ao que acontece no nosso governo, e fatos como esse do governo tucano demorarem a aparecer", afirmou.
"Brasília, 27 de março de 2006
A Sua Excelência o Senhor
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Senhor Presidente e amigo,
Peço a Vossa Excelência meu afastamento, nesta data, do cargo de Ministro de Estado da Fazenda.
Desde 1º de janeiro de 2003, trabalhei incansavelmente para corresponder à confiança com que Vossa Excelência me honrou ao escolher-me para servir ao seu lado como executor da política econômica de seu governo. Dei o melhor de mim, sem medir esforços.
Estou convencido, porém, de que minha permanência no Ministério da Fazenda, neste momento de exacerbado conflito político, e quando sou alvo de todo tipo de maldades e acusações, não mais contribui para o avanço da obra do governo de Vossa Excelência, nem serve ao melhor interesse do Brasil.
Desde agosto do ano passado, iniciou-se um movimento sistemático para lançar dúvidas e suspeitas sobre o meu trabalho e a minha pessoa. Durante todo o final de 2005, procurei, por meio da imprensa e de três visitas sucessivas ao Congresso Nacional, esclarecer toda sorte de questões lançadas a meu respeito. No início deste ano, compareci perante comissão parlamentar de inquérito do Senado Federal, antes mesmo de ser convocado, para prestar esclarecimento amplo e direto sobre todas essas questões.
Julguei haver refutado, naquele momento, em termos objetivos, a inconsistência das acusações e ter restabelecido as condições de trabalho deste Ministério. Entretanto, Senhor Presidente, a luta política se exacerbou nas últimas semanas e questões já superadas foram trazidas novamente à pauta. Tenho lidado com esta situação procurando sempre preservar a economia dos efeitos da luta política, assim como todo o trabalho do nosso Ministério. Entretanto, tornou-se cada vez mais difícil manter esta conduta, pois, em momentos de tal turbulência, os argumentos, as explicações e as ponderações perdem valor diante de acusações descabidas e conclusões apressadas.
Mais recentemente, episódio na Caixa Econômica Federal trouxe novamente a este Ministério pressões que tornaram impossível a continuidade regular do meu trabalho. Quero esclarecer, Senhor Presidente, que não tive nenhuma participação, nem de mando, nem operacional, no que se refere à quebra do sigilo bancário de quem quer que seja. Reafirmo ainda que não divulguei nem autorizei nenhuma divulgação sobre informações sigilosas da Caixa Econômica Federal. Sou consciente das leis e da responsabilidade do meu cargo. Sou consciente das regras da democracia e do Estado de Direito.
Foi com esta postura que realizamos um trabalho forte de estabilização da economia brasileira. Durante estes três anos e três meses, não houve lugar para malfeitos de qualquer ordem. Digo isto em meu nome e, tenho certeza, no nome de todos os secretários que comigo conduziram este trabalho. Tenho orgulho de haver colaborado para a implementação da exitosa política econômica de Vossa Excelência, que tanto contribuiu para a estabilidade de nossa economia, com claros benefícios para as parcelas mais pobres de nosso povo.
O controle definitivo da inflação, os números recorde de geração de emprego, a evolução do crédito, a boa administração da dívida pública e, particularmente, o espetacular desempenho das contas externas do País são conquistas do Brasil para as quais muitos governos colaboraram e seu governo consolidou. Estou extremamente feliz por haver contribuído para alcançar esses resultados. O Brasil está mais forte, mais preparado e maduro, para, sob a liderança de Vossa Excelência, seguir adiante trilhando esta política, no caminho do desenvolvimento econômico e social.
Tomo a decisão de pedir o meu afastamento com tranqüilidade. A consistência do trabalho feito e a solidez da economia brasileira me dão a certeza de que a estabilidade do país e de suas instituições não depende da pessoa do Ministro da Fazenda e sim das políticas definidas por Vossa Excelência. Sempre servi ao governo de Vossa Excelência sem personalismos nem ambições pessoais. Minha dedicação e minha energia sempre estiveram voltadas para o progresso do Brasil e de seu povo. Esta é a mesma convicção da honrada equipe do Ministério da Fazenda e, tenho certeza, do próximo ministro que Vossa Excelência escolherá.
Respeitosamente, e com toda a gratidão.
Antonio Palocci Filho
Ministro de Estado da Fazenda"
FREDERICO VASCONCELOS
da Folha de S.Paulo
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa.
Documentos obtidos pela Folha confirmam que o Palácio dos Bandeirantes interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo "Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).
A cúpula palaciana pressionou o banco oficial para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de Rádio. Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista "Primeira Leitura", publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa.
O banho de ética anunciado pelo candidato tucano à Presidência da República torna-se uma ducha de água fria com o resultado de uma auditoria na área de publicidade da Nossa Caixa, que revela o descontrole nas contas, e com a investigação, pelo Ministério Público do Estado, a partir de denúncia anônima, sobre o uso político-partidário do banco oficial.
Entre setembro de 2003 e julho de 2005, as agências de propaganda Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda. continuaram prestando serviços sem amparo legal, pois o banco não renovara os contratos, conforme a Folha revelou em reportagem de dezembro último. O caso está sendo apurado pelo promotor de Justiça da Cidadania Sérgio Turra Sobrane.
Ao analisar 278 pagamentos às duas agências no período em que operaram sem contrato --no total de R$ 25 milhões--, a auditoria interna apontou irregularidades em 255 operações (91,73%).
Não foram localizados documentos autorizando pagamentos que somavam R$ 5,1 milhões. Em 35% dos casos, não havia comprovantes da realização dos serviços. Em 62,23%, os pagamentos não respeitaram o prazo mínimo legal de 30 dias. O patrocínio de campanhas de marketing direto era autorizado verbalmente.
A responsabilidade por esses pagamentos é atribuída ao ex-gerente de marketing Jaime de Castro Júnior, 48, ex-auditor do banco, com 28 anos de casa. Ele admitiu ter liberado pagamentos em valores acima dos limites que podia autorizar e, a partir de 2002, sem ter procuração para tal. "Reafirmo que assumi a responsabilidade pela liberação dos pagamentos, dados sua urgência e os interesses da instituição", afirmou à comissão de sindicância.
Ele foi demitido por justa causa, em dezembro, pelo presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, sob a acusação de "mau procedimento", "desídia" e "indisciplina". O ex-presidente do banco Valdery Frota de Albuquerque também foi responsabilizado.
Pressões
Por entender que a comissão de sindicância poupou outros envolvidos, inclusive o presidente do banco, o ex-gerente preparou um relatório de 42 páginas em que revela outras irregularidades e as pressões que recebeu do Palácio dos Bandeirantes. "Houve atendimentos a solicitações de patrocínio e mídia, de deputados estaduais da base aliada, nas ocasiões de votação de projetos importantes para o governo do Estado", afirma Castro Júnior nessa peça.
O ex-gerente explicitou: "Por ser um órgão do governo do Estado, a pressão de cunho político para liberação de anúncios, verbas para eventos e patrocínios sempre foi muito forte. Fosse através da Secretaria da Comunicação, diretamente por deputados, vereadores, secretarias de Estado, do gabinete do governador, para atendimentos de natureza política, para sustentação da base política do governo do Estado".
Há suspeitas de que o esquema envolve outras empresas do Estado. Consultadas, Sabesp, Prodesp, CDHU e Dersa não responderam questionário da Folha.
O direcionamento da publicidade pelo Palácio dos Bandeirantes veio à tona com a quebra de sigilo da correspondência (e-mails) de Castro Júnior, autorizada pela direção do banco nas investigações.
Essa troca de mensagens indica que as determinações para a veiculação de interesse dos tucanos partiram do assessor especial de Comunicação do governo do Estado, jornalista Roger Ferreira.
Ele atuou nas equipes de marketing das campanhas presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Foi chefe da Assessoria de Comunicação da Caixa Econômica Federal, entre 1999 e 2002, na gestão de Valdery Frota de Albuquerque, que o levou para assessorá-lo na Nossa Caixa.
Jornada dupla
Antes de trabalhar com Alckmin no Palácio dos Bandeirantes, Ferreira foi assessor da presidência da Nossa Caixa, entre março e outubro de 2003. Recebia R$ 17 mil mensais, salário superior ao do presidente do banco. O jornalista foi contratado pela agência Full Jazz, empresa cujos serviços deveria controlar. A agência pagava a Ferreira, que fornecia nota fiscal da RF Produções e Editora Ltda., com sede
A agência cobrava esses "serviços" do banco, com acréscimo de 10% a título de honorários. Trata-se de forma de driblar a legislação que veda a contratação sem licitação de serviços de publicidade e divulgação.
Segundo Castro Júnior, "a partir de sua contratação, o sr. Roger Ferreira passou a manter estreito relacionamento com as duas agências de propaganda, por ordem da presidência, coordenando as ações de marketing, notadamente aquelas pertinentes a campanhas e anúncios na mídia".
"Ele não poderia jamais ser contratado pela agência. Houve uma ilegalidade", diz o advogado Toshio Mukai, especialista em contratos e licitações públicas. Com a saída de Ferreira, Monteiro determinou a contratação da jornalista Shirley Emerich, para substituí-lo, no mesmo esquema da Full Jazz e o mesmo salário. Ela deixou a Nossa Caixa em julho de 2005, com o rompimento do contrato com a agência. Castro Júnior diz que não havia rubricas contábeis específicas para os pagamentos mensais dessas contratações.
Outro estudo, feito pelo grupo GRC Visão, mostra o Brasil como a 10a economia mundial, ultrapassando a Russia e o México, que no ano anterior haviam aparecido acima do Brasil no ranking. Com esse resultado, o Brasil volta a possuir a maior economia da América Latina.
A seguir o ranking das maiores economias em 2005:
1) EUA - US$ 12,76 trilhõs;
2) Japão - US$ 4,96 trilhões;
3) Alemanha - US$ 2,6 trilhões;
4) Reino Unido - US$ 2,28 trilhões;
5) China - US$ 2,23 trilhões;
6) França - US$ 2,112 trilhões;
7) Itália - US$ 1,735 trilhão;
8) Canadá - US$ 1,047 trilhão;
9) Espanha - US$ 1,046 trilhão;
10) Brasil - US$ 797 bilhões;
11) Rússia - US$ 765 bilhões;
12) México - US$ 757 bilhões;
13) Índia - US$ 753 bilhões;
14) Coréia do Sul - US$ 727 bilhões;
15) Austrália - US$ 650 bilhões.
O Brasil foi um dos países que mais geraram empregos no Mundo nos últimos 3 anos, segundo estudo divulgado no último dia 9 pelo Tesouro Nacional.
Utilizando uma estimativa "conservadora" para calcular a criação total de empregos nos últimos três anos, considerando que para cada emprego formal foi criado 1,5 informal, o Tesouro calculou que a criação de empregos superou 5 milhões no período. E, numa estimativa mais otimista, com a geração de 2,2 empregos informais para cada posto de trabalho formal, esse número ultrapassa os 7 milhões.
As negociações salariais verificadas em 2005 apresentaram os melhores resultados dos últimos 10 anos. A informação consta do levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que realiza pesquisa sobre reajustes desde 1996.
Até agora o melhor resultado do indicador havia ocorrido em 2004, quando se observou início da reversão da tendência de negociações desfavoráveis aos trabalhadores. Naquele ano, 81% dos documentos analisados resultaram em recomposição salarial integral.
Conforme o estudo, do total de 640 negocições registradas pelo Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS-Dieese) em 2005, 88% foram estipulados reajustes salariais superiores ou iguais a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (INPC-IBGE), parâmetro para as negociações.
Deste universo, a maioria (72%) das negociações apresentou reajuste salarial acima da inflação acumulada em um ano, enquanto que 16% tiveram acréscimo igual ao INPC e 12% abaixo do índice.
O estudo reuniu informações de 17 unidades da Federação. O Sudeste e o Centro-Oeste foram as regiões que apresentaram as melhores performances: mais de 90% das unidades de negociação asseguraram reposição integral das perdas salariais. Já na Região Norte, cerca de um quarto das negociações resultou em reajustes insuficientes para repor a inflação.
Fonte: InvestnewsA diretoria do Sindicato Nacional da Indústria Naval e Offshore (Sinaval) viaja, no próximo dia 12 para Venezuela para assinar os contratos de construção de 36 embarcações para a PDVSA. Orçado em cerca de US$ 3 bilhões, o contrato prevê a construção integral de 28 embarcações de grande porte no Brasil e oito serão construídas em estaleiros brasileiros (casco) e finalizadas na Venezuela, conforme disse ontem o presidente da entidade, Ariovaldo Santana Rocha.
A construção dos petroleiros em estaleiros nacionais faz parte de um acordo negociado com o governo da Venezuela pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na época em que ocupava o Ministério de Minas e Energia. Os estaleiros encarregados dessa construção são: Atlântico Sul (Camargo Corrêa), Mauá-Jurong, Eisa, Keppels Fels e Itajaí. O estaleiro Aker Promar fará uma joint venture com a estaleiro Atlêncito Sul.
Essas encomendas, segundo Rocha irão gerar cerca de 10 mil empregos diretos. Atualmente, o setor naval emprega cerca de 37,5 mil trabalhadores. A concorrência internacional da PDVSA participaram ainda estaleiros da Espanha e Argentina que construirão, respectivamente, 2 e 5 navios.
"As obras dessas embarcações costumam iniciar cerca de 9 a 12 meses depois da assinatura dos contratos, ou seja, prevista para 2007", comentou, acrescentando que a PDVSA tem projeto para construir 30 plataformas de exploração de petróleo e gás nos próximos 10 anos. "Se cada plataforma precisa de três navios de apoio, eles vão precisar de muitas embarcações de apoio offshore.
O sindicato avalia que ainda que a indústria naval receberá encomendas de até US$ 5,5 bilhões nos próximos anos, incluindo os navios da PDVSA e da Transpetro e embarcações de apoio a plataformas petrolíferas.
Com informações de Monitor Mercantil e O Estado de São Paulo
A indústria paulista começou bem o ano. Em janeiro, o Indicador de Nível de Atividade (INA), que mede o desempenho do setor, cresceu 1,5% em relação a dezembro de 2005, descontadas as diferenças sazonais. Na comparação com janeiro do ano passado, o indicador subiu 7,4%. A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), responsáveis pelo levantamento, classificaram como "positivo" o desempenho no mês, tradicionalmente considerado ruim para a indústria.
Tanto é que a Fiesp e o Ciesp revisaram, para cima, as suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano. A projeção da Fiesp passou de 3% para 4%, e a do Ciesp,de 3% para 3,5%.
Além da arrancada do setor neste início de ano, as duas entidades levaram em consideração outros fatores. Entre eles, o aumento do salário mínimo, os pacotes de investimento - como o da construção civil, que movimentará R$ 19 bilhões - e a reativação de programas de infra-estrutura, citou Francini. Segundo ele, o novo valor do salário mínimo terá um impacto direto de cerca de R$ 9 bilhões na economia, o que significará um crescimento de 1,5% no rendimento do trabalhador.
Segundo o diretor do Departamento de Economia do Ciesp, Boris Tabacof, a relação entre crédito total e PIB saltou de 27,2%, em janeiro de 2005, para 31% em janeiro deste ano. Já o crédito consignado, em particular, na comparação de janeiro de 2006 com o mesmo mês do ano passado, subiu 75%, atingindo o volume de R$ 33 bilhões.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, em artigo publicado em revista comemorativa da visita do presidente Lula a Londres, ressaltou a crescente relevância do Brasil no cenário internacional e as grandes semelhanças das posições dos dois países em temas como a o combate à pobreza e preservação do meio ambiente.
"O Brasil está emergindo como um protagonista chave no palco internacional", disse Blair. "A forte liderança do presidente Lula no estímulo aos esforços para se combater a pobreza e a desigualdade o transformam num parceiro óbvio para o Reino Unido e outros membros do G-8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo) nas nossas discussões sobre a África e nos esforços conjuntos para reduzir a pobreza."
Blair afirmou que a atual rodada de Doha será um dos principais desafios para a comunidade internacional nos próximos meses. "O Brasil, como uma voz de liderança no mundo em desenvolvimento, é crucial para qualquer acordo, como também o é a União Européia", disse o premiê britânico. Por isso precisamos ser capazes de trabalharmos juntos diante da aproximação da data limite para as negociações em abril e além desse prazo."
Blair disse que o Brasil "é o parceiro mais importante do Reino Unido na América Latina", oferecendo oportunidades para exportadores e investidores britânicos. Ele ressaltou também as parcerias bilaterais na área de educação, saúde, meio ambiente e ciência e tecnologia.
João Caminoto
Por Leandro Fortes para Carta Capital
Na lista de grandes prejuízos também estão computados os desembolsos na Santa Catarina Participações e Investimentos, para projetos de infra-estrutura no estado, que hoje somam provisões para perdas no valor de R$ 600 milhões.
O histórico de todos os grandes investimentos da Previ estão detalhados na documentação que chegou ao Congresso. A Previ confirmou ontem os prejuízos milionários no governo passado. O valor de mercado do complexo de Sauípe, calculado pela Previ, é de R$ 171 milhões. Significa que, mesmo se todo o complexo fosse vendido, a Previ resgataria apenas 16,7% do que foi investido.
O protocolo de entendimento para a construção do Complexo Turístico do Sauípe foi assinado pela Previ em 5 de dezembro de 1997, com a Fontecindam Participações e a construtora Norberto Odebrecht. Uma das assinaturas de testemunhas do protocolo é atribuída ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), avô do sub-relator de Fundos de Pensão, Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). A assessoria do senador informou que ontem ele estava a bordo de um avião dos Estados Unidos para o Brasil e que posteriormente vai se pronunciar sobre o protocolo de Sauípe.
Cinco meses antes da assinatura do protocolo para a construção de Sauípe, o governo da Bahia enviou ofício ao então presidente da Previ, Jair Bilachi, a quem cumprimentava ''pela decisão'' de investir no complexo turístico.
Os primeiros registros da venda do hospital Umberto Primo para a Previ são de 1993. Naquele ano, um parecer assinado pelo assessor da Diretoria Técnica da Previ, Álvaro Germano Albernaz, detalhava a situação do hospital, interditado pela Vigilância Sanitária por falta de higiene e limpeza. O hospital acumulava um passivo de R$ 37 milhões.
Álvaro Germano assegura, em seu parecer que o então deputado tucano José Serra (PSDB), hoje prefeito de São Paulo, ''prontifica-se, como já vem fazendo, a manter contato com órgãos e instituições públicas a fim de encaminhar soluções passíveis'' para o problema vivido pelo hospital. Informalmente, Álvaro ficou sabendo que, por ''intervenção do deputado José Serra'', uma comissão de representantes do hospital foi recebida no mesmo dia pelo presidente do Banco do Brasil, ''que teria se comprometido a obter auxílio junto à Fundação Banco do Brasil, para contratar o referido estudo de viabilidade'' desse mesmo hospital.
Em outubro de 1996, foi assinado protocolo de intenções para a compra do hospital. O sistema de contabilidade gerencial da Previ registra um valor de mercado de R$ 34 milhões para o hospital. Até agora, foram feitos desembolsos que, corrigidos, somam R$ 240 milhões.
A assessoria do prefeito José Serra solicitou que as perguntas fossem enviadas por mensagem eletrônica. No início da noite, a assessoria de Serra pediu também cópia do parecer da Previ, enviada pelo Jornal do Brasil. O prefeito não se pronunciou sobre o assunto.
Os prejuízos da Previ foram tema de debates ontem, na sub-relatoria de Fundos de Pensão da CPI dos Correios. A senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) questionou os prejuízos de ''centenas de milhões'' em Sauípe. Para a senadora, é importante esclarecer estes prejuízos milionários, no momento em que os fundos de pensão são questionados por eventuais operações irregulares para financiar o mensalão.
E as denúncias sobre a Lista de FURNAS não param... a seguir algumas reportagens dessa sexta sobre o assunto:
Ex-executivo da Toshiba pode confirmar caixa 2 em Furnas, diz site
Um ex-dirigente da Toshiba deverá confirmar, na próxima semana, a existência de caixa dois, compras viciadas e propinas para políticos e funcionários de FURNAS, segundo informou nesta quinta-feira (2) o site Contas Abertas, hospedado no UOL.
Segundo o site, o ex-dirigente afirma que a multinacional combinava preços com um clube, formado "por grandes empresas que dominam as licitações e o fornecimento de bens e serviços para o setor elétrico brasileiro".
O acordo teria começado em 2000 (no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso) e era feito nas concorrências de obras para resolver o problema do apagão. Entre as concorrências viciadas, de acordo com o Contas Abertas, estavam as da instalação de usinas termelétricas, especialmente aquelas pagas por meio da reserva técnica, nas quais não havia licitação.
O ex-dirigente teria contado ainda que a diretoria da Toshiba sabia do pagamento de propinas e que um lobista chegou a cobrar R$ 5 milhões para a empresa vencer uma concorrência.
O depoimento do ex-dirigente da Toshiba deve trazer de volta à Brasília a discussão sobre a chamada "Lista de Furnas", a relação de 156 políticos da base de apoio do então presidente FHC, supostamente beneficiados pelo caixa dois de R$ 40 milhões da estatal. Entre os nomes, 82 são do PSDB e do PFL.
Ex-diretor da Toshiba confirma lista de FURNAS
Por Laerte
Um ex-diretor da Toshiba confirmou a existência da lista de furnas e foi claro ao afirmar que Dimas Toledo sabia dos fatos, o dinheiro para políticos passava por Dimas.
O dado novo é que milhões de reais foram pagos nos dois últimos anos de governo de FHC, para a implantação de termoelétricas. Foi à época do apagão.
A senadora Ana Júlia (PT-PA), que já processou a revista Veja por matéria publicada em setembro do ano passado, disse que ficou estarrecida com a "vergonhosa matéria publicada na edição de 1º de março de 2006, publicada na internet no dia 24 de fevereiro, intitulada: "A Floresta pagou a conta do PT", cuja chamada de capa foi "Amazonia: Como o PT vendeu a Floresta".
Segundo Ana Júlia, a matéria falsifica deliberadamente conclusões do relatório da CPI da Biopirataria. Leia a íntegra da nota aqui.
A senadora afirma ainda que não foi a primeira vez que Veja mentiu. Na edição de 21 de setembro de 2005, a revista tentava atingir a senadora com mais uma matéria pautada em acusações infundadas.
Para se ter uma idéia de quanto é falha é a responsabilidade na apuração dos fatos, o irmão da senadora foi acusado pelo advogado que serviu de fonte para a matéria. Durante a entrevista, o irmão de Ana Júlia ofereceu-se para fazer uma acareação com o advogado. O repórter não aceitou. Agora, ao responder uma representação na OAB, o advogado negou que tivesse acusado o irmão da senadora. Clique aqui para ver a nota divulgada na época.
Os comentários sobre o Bolsa Família foram feitos em reunião com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Dervis destacou os avanços do Brasil no primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — que estabelece duas metas: reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas pobres e a proporção da população que sofre de fome.
Esse avanço, comentou o administrador do PNUD, foi influenciado pelo Bolsa Família nos últimos anos. Segundo ele, o programa mostrou efeitos em curto espaço de tempo, alcançou uma escala suficiente para abranger boa parte da população pobre e racionalizou as ações no setor, ao unificar projetos já existentes.
Essa experiência brasileira, defendeu Dervis, deve ser transmitida a outros países, por meio de projetos de cooperação sul-sul (ou seja, de cooperação entre nações em desenvolvimento). O PNUD está pronto a colaborar na disseminação desse conhecimento, frisou o administrador.